Páginas

domingo, 15 de agosto de 2010

Uma arapuca chamada cheque especial

Veja a matéria abaixo na revista Tiploc que acaba de sair

Uma arapuca chamada cheque especial

Título de capitalização é um jogo no qual você perde. Consórcio é um negócio no qual você não ganha. Espero ter convencido você disso nos dois artigos anteriores.
Se você quer juntar algum dinheiro com simplicidade e baixo risco, opte pela caderneta de poupança. Mas, se tiver talento e coragem para investir, opte pelos títulos públicos, CDBs, ações, mercado futuro, forex (moedas). Deixe para os simplórios o consórcio e os títulos de capitalização. Você já sabe que são instrumentos perversos que transferem renda de quem tem menos para quem tem mais.
Igualmente perverso é o cheque especial. Sua praticidade e facilidade de uso são o chamariz da arapuca que já acaçapou quase todo mundo pelo menos uma vez na vida. O problema geralmente começa quando sobra mês no final do salário. A vítima usa o cheque para aguentar até a chegada do próximo contracheque. Pronto! O dreno se abre. Dali em diante, a cada mês vaza um pouco mais de dinheiro. A dívida cresce. Cheque especial é para situações inesperadas, raras e urgentes. Quando usado, o débito deve ser inteiramente coberto no máximo até o próximo pagamento. Se ficar em aberto por mais de 30 dias, algo está errado.
Não use o cheque especial para pagar contas de luz, água, telefone, supermercado. Não financie suas férias com ele. Quem faz tais coisas caminha para a ruína financeira. Se lhe parece impossível sair do cheque especial, é sinal de que você está vivendo na ilusão de que ele pode esticar seu salário. Não pode. O que estica o salário é adotar um padrão de consumo realista. É viver somente com o que se ganha. Moderar nos gastos é o primeiro passo para escapar da arapuca. O segundo passo é refinanciar a dívida.

Refinancie sua dívida
Após controlar os gastos você deve refinanciar o débito do cheque especial. O exemplo abaixo mostra por quê. Imagine um empréstimo de R$ 1.000,00 a pagar em seis meses. No cheque especial a taxa de juros será de 8,0% ao mês, o que resultará numa prestação de R$ 216,32. Portanto, você devolverá ao banco R$ 1.297,92 e ficará R$ 297,92 mais pobre. No empréstimo consignado a taxa é de 1,18% ao mês, o que resultará numa prestação de R$ 173,62. Você devolverá ao banco R$ 1.041,72 e ficará R$ 41,72 mais pobre. Assim, trocando o cheque especial pelo empréstimo consignado, você economizará R$ 42,70 por mês. Em seis meses você poupará R$ 256,20.
A economia acima mostra por que você deve refinanciar. Você pode também usar o 13o para se livrar da dívida. Mas isso não costuma funcionar. É que os viciados em cheque especial renovam nas festas de fim de ano a dívida que pagaram duas semanas antes.

Fale com o banco
Para refinanciar, informe ao seu gerente que você quer trocar a dívida do cheque especial por prestações fixas e taxas mais baratas. Ele concordará, pois não quer perder nem o dinheiro nem o cliente. Mas, se não concordar, procure outro banco. Se você tiver ficha limpa e carteira assinada, qualquer banco lhe fará um empréstimo consignado.

Outro caminho é você proibir o banco de debitar o saldo devedor do cheque na sua conta corrente. Isso o forçará na negociar. Mas, se mesmo isso falhar, procure um advogado. Impedir o débito automático em sua conta é um direito seu.
Mas não se iluda: ninguém pode tocar a vida de empréstimo em empréstimo, mesmo quando os juros são baratos. Sua meta deve ser jamais se endividar, seja com os bancos, seja com os carnês de lojas. Todo juro é perda de patrimônio.
Refinancie o cheque especial com empréstimo consignado, mas nunca refinancie um empréstimo consignado com outro empréstimo consignado. Fuja dos títulos de capitalização, dos consórcios e do cheque especial. Assim você evita que os bancos devorem seu dinheiro.

Nenhum comentário:

b56a63c5-6e12-4ad3-81ef-13956069e781