quinta-feira, 8 de março de 2012

Políticos matreiros

João Fidélis de Campos Filho (*)

Envelhecer significa despir-se de muitas ilusões. Significa redefinir projetos, redimensionar aspirações, para readaptá-las ao senso crítico. Quem não tem esta visão da realidade pode se decepcionar quando começa a perceber que certas lutas só tem sentido quando resultam no bem comum. Este estado de isenção, que define os homens de caráter e que os afastam do egocentrismo fugaz, deveria nortear as ações dos homens públicos cuja responsabilidade sobre os destinos de muitas almas é enorme.

É digna de comiseração a atitude de certos personagens da cena pública brasileira, cujos cabelos brancos deveriam credenciá-los como dignos de mais confiança e boa-fé perante a sociedade, agindo como se tivessem o poder sobre a eternidade. Apoderam-se de ministérios como se fossem capitanias hereditárias, se assenhoreiam de postos de comando como se a função natural de qualquer político ao administrar um orçamento fosse a da barganha, da negociata e da busca do enriquecimento ilícito. Ignoram o julgamento da história, os valores morais e os valores éticos. Estão condicionados às circunstâncias, à vaidade e à ilimitada cobiça. Agem como se fosse um “dever” dos poderosos conseguir favores para os apadrinhados, auferir gordas comissões e enviar dólares para paraísos fiscais.

Ouvi dizer dia destes que um deputado “que não se arruma é um idiota”. Será por isso que este cargo é tão ambicionado? No fundo a sociedade brasileira está acostumada à tradição de que os detentores do poder devem aproveitar das vantagens de seu cargo e muitos acham até normal que isto aconteça, não escondendo que uma vez investidos deste poder agiriam da mesma forma. Numa avaliação geral como é fácil constatar que existe um sem número de pessoas neste país inebriados e obcecados pela ideia de ter e acumular mais e mais, sem se darem conta de que amontoar bens matérias não os imuniza de seu destino inevitável e sem terem consciência que estes despojos pertencem à roda do mundo que tudo transforma no universo.

Esquecem-se, quando praticam injustiças ou agem com parcimônia, de sua condição transitória e da inevitabilidade da lei da ação e reação que transforma o ser humano no produto de suas escolhas. O homem tal qual o enxergamos em qualquer circunstância, “na rua, na chuva ou na fazenda” é a soma de tudo que realizou no passado. Sua fisionomia, sua aparência física e as ondas energéticas que extravazam de sua aura (e de seu pensamento) é resultado da combinação de seus atos passados e presentes.

Quando vemos hoje um jovem, no destemor de seus atos, impulsionado por seus sonhos de auto-realização e felicidade, sabemos que talvez um dia ele possa melhor avaliar tudo que fez e que ao longo desta trajetória extrair ir extraindo algum aprendizado de vida. Qualquer erro, seguindo esta linha de raciocínio, é mais condenável num idoso do que num jovem, já que a imaturidade é um tipo de atenuante. Por isso ficamos tristes, quando vemos estes políticos, já em idade avançada, praticando esta política matreira, oportunista e prejudicial à nação brasileira. Precisamos nos livrar destes maus exemplos que empobrecem nossas instituições.


(*) João Fidelis de Campos Filho é Cirurgião-Dentista

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