segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Bom-despachenses trazem troféus da corrida de rua em Santo Antônio do Monte

Na manhã de ontem (5/2) os atletas amadores de Bom Despacho, Vanderlea Bezerra e Fernando Cabral (eu) trouxeram os troféus de 2º e 3º lugares em suas respectivas categorias (30-39, 60-64).

Na corrida, com cerca de 300 participantes, só havia três representantes de Bom Despacho. Foi o suficiente para abocanharem três troféus.

O percurso, pelas ruas de Santo Antônio do Monte, teve a extensão de 5.000 metros.

Vanderlea Bezerra e Fernando Cabral trouxeram troféus

A estrela do dia

Nessa corrida ABC de Santo Antônio do Monte, a atenção se voltou para a jovem corredora Islane Pereira Lopes, que tem apenas 14 anos e veio de Japaraíba. A corredora diz que começou a correr aos 11 anos e se entusiamou. Atualmente ela cursa a 8ª série na Escola Municipal São Simão e é treinada pelo Prof. Júnior.

Além de chamar a atenção pela juventude e pelo desempenho, a corredora também causou espanto pelo fato de correr descalça. Nos tempos atuais, em que o marketing vende continuamente a ideia de que os caminhantes e corredores devem usar tênis caros e tecnológicos, é um alívio ver como a simplicidade atávica das corridas pode nos lembrar de que o ser humano foi feito para caminhar e correr descalço.
Corredora Islane Pereira Lopes, de Japaraíba
Embora tão jovem, Islane já coleciona títulos. Entre eles, foi Campeã brasileira do campeonato Caixa Interestadual de Menores de Minas, e 3ª colocada no campeonato nacional.

O mito dos tênis de alto desempenho e com efeito protetor

A disputa entre os que correm descalços e os que correm calçados é muito antiga. Em 1960 o etíope Abebe Bikila corrreu descalço quando ganhou a maratona dos Jogos Olímpicos de Verão, em Roma.

Os índios Tarahumara, do México, são considerados os maiores corredores do mundo. Para eles, correr é parte da cultura da sobrevivência. Não conheciam a corrida como esporte ou disputa. Até recentemente, eles caçavam animais silvestres simplesmente correndo atrás deles até cansá-los! Não usavam nenhuma arma, só a velocidade e a estâmina (estâmina indica a capacidade de manter-se em atividade física continuada).

Hoje, já há muitos corredores retomando o hábito de correr descalço. Esse assunto é tratado de forma romanceada na obra "Born do Run", de Christopher McDoughall (o livro não tem tradução em português).

O que se pode afirmar com certeza é que não existe nenhum estudo científico demonstrando que os tênis modernos aumentem o desempenho ou  diminuam os acidentes dos corredores. Ao contrário, todas as evidências científicas apontam no sentido contrário: os tênis de corrida não só não protegem o corredor, como aumentam as chances de que se machuquem, especialmente no tornozelo e no joelho.

No seu livro "The Maffetone Method" (também  sem tradução brasileira), o treinador Philip Maffetone esclarece: "os estudos científicos mostram claramente que a maioria dos tênis modernos, especialmente os mais caros, ou os tipos com proteção excessiva, podem causar danos." Depois conclui que é possível usar tênis que façam menos mal, mas é preciso cuidado na hora da escolha.

A jovem corredora Islane Pereira, de Japaraíba, redescobriu o que vem sendo sistematicamente ocultado por interesses comerciais e pelo hábito de repetir sem pensar o que se ouve de vendedores de tênis: os pés humanos foram feitos para caminhar e correr longas distâncias sem qualquer tipo de "auxílio" de tênis.

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá Fernando, muito bem colocada a sua reportagem elevando o nome da garota e colocando algumas verdades sobre os mitos sobre correr descalço.

Breno disse...

Parabéns pessoal. Cadê o Valençola???

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